Blog do escritor Ferréz

Eu sem estar lá

Sempre pensei nesse momento, mas até ver, sempre duvidei também.
Não precisei pegar avião, não precisei nem sair de casa, quando chegou o flyer pensei: Agora sim, entendo que alcancei algo.
Uma pessoa poder tocar uma palestra, leitura e tudo mais sobre um autor, pra mim muita honra.
segue o flyer ai pra vocês verem, e ainda temos muito a lutar para que a literatura que fazemos chegue de certa forma a todas as pessoas.
começo sempre falando no singular, depois vai virando no plural, é assim mesmo, ao meu lado está sempre muita gente.
Grande abraço. gratidão.

trecho de Datilógrafo do gueto

Trecho do livro: Datilógrafo do gueto
Onde pretendo trazer as letras que fiz no Rap Nacional, as poesias, minhas participações, e minhas histórias durante essas criações.

O Rap nacional é o ritmo que mais me influencia, das ruas da Sul, quando eu era bem pequeno, até os shows que fui e os amigos que conquistei, com o Rap eu nunca me senti sozinho.
As vezes as ideias não podem ser digitadas, ai então, pego o caderno, dessa vez não pra por a primeira ideia, mas pro por a coisa definitiva, digo coisa pois nem poesia, nem crônica acho que são, algumas tem estradas, como os percursos ancestrais inexplicáveis dos griots, ou similar como nossos repentistas, outros são vontades de continuar deslizando a caneta no papel, talvez por uma terapia de auto cura.
Como não escrever em forma de Rap se ele foi minha escola? A cada rima a vida narrada, e gente para me ouvir recitar nas vielas e quebradas.

Se é para dizer que tipo de literatura seria, talvez uma escrita Hip-Hop, algo entre a letra de um Rap e um conto curto, uma crônica que só o gueto produz.

Ferréz no Apoia.se

Salve Rapa, fiz uma campanha no Apoia.se para dar um suporte no meu trampo, entre textos, contos, poemas, palestras e tudo mais, essa campanha pretende me dar tempo para fazer o livro: Datilógrafo do gueto, você apoiando essa campanha contínua pode receber o livro, o livro e uma camiseta, e até os dois e um café comigo na quebrada, e ai bora nessa? veja como participar nesse link.

https://apoia.se/datilografodogueto

Selo Povo lança segunda edição de Cronista de um tempo ruim

A editora Selo Povo vai lançar em alguns meses o livro Cronista de um tempo ruim. Pra mim um orgulho ter o livro escrito, editado e vendido na quebrada. Essa nova edição traz 4 textos inéditos em livro, e um novo acabamento gráfico além de nova capa. Lançado em 2011 a primeira edição vendeu 2.000 exemplares em 3 meses e depois ficou esgotada. Em breve anunciamos o local e data para o lançamento.

Selo Povo editora será acelerada

Com muita alegria, semana passada recebemos a notícia de que a editora Selo Povo, será acelerada pela NIP, a aceleradora criada pela A banca.
Assim, vamos poder fazer crescer esse projeto que já editou 7 livros e está indo pro oitavo totalmente de forma independente.
Uma grande alegria pois de fato, trabalhar com literatura na periferia não é tarefa fácil.
Frequentemente temos bons livros nas mãos, mas não podemos publicar e nem sequer editar por falta de tempo e dinheiro e também estrutura.
A 18 anos editei a primeira revista Literatura Marginal, pela editora Casa Amarela, depois veio mais dois números e foram mais de 48 autores lançados no Brasil todo, ainda editei um livro para a editora Ágir só com autores da escrita periférica.
O Selo Povo foi criado para dar continuidade nesse trabalho.
virão grandes novidades, e a quebrada vai poder sim, falar essa frase com muita força.
Ninguém controla nossa história.

Novo livro da Selo Povo com crônicas do Ferréz

Hoje reunião da Selo Povo para nova capa do Cronista de um tempo ruim, a primeira edição esgotou e agora em novo formato e nova capa, desse meu livro crônicas. Em breve novidades e lançamento dessa nova edição

Texto especial para o Blog - Universo Geek

Universo Geek, negócios e colecionismo no Brasil.

Poder ir a grandes eventos como a Comic Con, a famosa CCXP, sempre é um aprendizado, dessa vez quando cheguei na periferia de São Paulo, muita gente me perguntou como foi o evento, ele ganha cada vez mais importância a cada ano, mas não é fruto de sorte. Muito trabalho, programação, e parceiros envolvidos para que o mundo geek ganhasse essa importância.
O grande responsável é o multi gerador de conteúdo Omelete, que num trabalho pioneiro vem soltando seus tentáculos que culminaram no CCXP.
Pequenas iniciativas também foram crescendo, o trabalho de alguns jornalistas divulgando essa cultura, que alguns anos atrás era ridicularizada, sempre se mostrando só as famosas “fantasias” ou cosplayers como são chamados.
Eu como bom nerd, andei muito na feira, voltei com as costas travadas, fiquei horas em pé no artists alley, como é chamada uma praça onde ficam os artistas nacionais e internacionais, assinando prints, fazendo skets e dando autógrafos.
São momentos como esse que fazem a feira valer a pena, os stands estão cada vez mais gigantescos, caprichados, mas também com filas imensas, é impossível curtir 10% do evento em cada dia.
O que não vou deixar de criticar foi o acesso do estacionamento, tinha que andar muito, até ai tudo bem, desde que não tivesse uma passagem da full experience na sua cara, a full experience é um cartão digamos de “elite” onde se paga bem mais caro e você tem direito a ir uma noite antes de abrir a feira, acesso livre aos artistas e também brindes e tal. Pra mim tudo bem até ai, mas porque uma entrada bem na cara do estacionamento reservada só pra quem pagou R$ 6.999,00? Pode dar regalias? Claro, o cara pagou isso tudo, mas pra que o “povão” tem que sofrer de contrapartida?
Também não curti o stand da Riachuelo Geek, sempre tem cara de apropriação da cultura, diferente de marcas como Irons Studios, Toys Collection e outras, a major Riachuelo não me faz engolir seu lado nerd, mas foi um dos lugares mais concorridos do evento.
O mundo dos heróis está cada vez mais popular com filmes, séries e tudo isso começou nos quadrinhos. Quando alguém pergunta por que não fui ver o novo filme da Marvel, a vontade é dizer que já li tudo isso a pelo menos 20 anos antes, sei o final, o andamento da história e tal, mas me controlo e digo logo que ainda vou ver, muito trampo explicar que Jack Kirby criou tudo isso e mal tinha dinheiro pra pagar sua hipoteca.
Um grande negócio se constrói mesmo assim, e o tamanho do mercado está sendo construído aos poucos, peguei dois depoimentos para essa matéria, um do jornalista Alexandre de Maio, que também é desenhista e envolvido nesse universo, e outro do JP da Social Comics, simplesmente o primeiro e maior serviço de streaming do Brasil, e que pertence ao Omelete Group.
Lendo uma matéria do Danilo Ferreira Zanini no face, me acendeu ainda mais a vontade de escrever sobre esse mercado, sou colecionador desde os 7 anos, nunca imaginei que poderia andar num espaço com gente com o mesmo gosto que o meu, passar por inúmeros desenhistas e profissionais do meio, conversando, conhecendo, dividindo experiências, esse é o maior triunfo da CCXP.
O mercado está em grande expansão, temos uma marca de colecionáveis brasileira, a Irons Studios, coisa impensável antigamente. Temos uma franquia de roupas nerds, a Piticas que está em dezenas de shoppings, e uma agência para talentos nacionais como a Chiaroscuro Studios.
Falta algumas vertentes, e tem espaço de sobra pra crescimento, espero que o texto tenha somado de alguma forma, afinal a palavra crise parece não grudar no lado geek da força.
Veja a opinião de Alexandre de Maio e JP.
- Eu sinto falta no mercado de quadrinhos de ver mais trabalhos autorais ganhando visibilidade, sinto falta de representatividade de negros, lgbts nas HQs, sinto que vem mudando mas precisa avançar mais. E outro ponto importante nesse mercado seria uma boa distribuidora de HQs independentes, tanto nas bancas, como nas livrarias.
Alexandre de Maio (desenhista, jornalista do Catraca Livre).
Eu acho que o mercado geek no Brasil, e no mundo, está em constante ascensão. Ainda tem muito pra crescer por que estamos falando de fãs, de paixão, não é como comprar um sabonete por exemplo. Só que especialmente no Brasil precisamos valorizar o que é nosso. Olha quantos quadrinhos são publicados no país por artistas independentes, muitos com histórias incríveis que não deixam por nada os estrangeiros. Uma vez tive uma reunião com um diretor de conteúdo de uma grande emissora. Na ocasião ele comentou que a filha dele não tinha nem ideia do trabalho que fazia pois vivia grudada na Netflix. Eu disse a ele que em vez de fazer novela eles adaptassem histórias de quadrinhos Brasileiros que com certeza ela iria achar muito legal. A gente fica sempre naquela incógnita o ovo ou a galinha. O público não reage tanto a conteúdos nacionais ou é por que não temos investimentos nos conteúdos nacionais para o público reagir? Acho que temos de ter mais quadrinhos nacionais adaptados para cinema, games, mais incentivos para autores, escritores. Mais eventos específicos, enfim. Temos bastante potencial e um mercado considerável, só temos de desenvolvê-lo. Talvez esteja começando esse movimento, mesmo que de forma modesta, mas já é um primeiro passo. Quem sabe daqui a alguns anos a gente não tenha filmes, séries, games brasileiros bombando pelo mundo? JP, Social Comics